Fila de transplantes em São Paulo reúne mais de 29 mil pacientes e cresceu 11% em um ano.
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O vendedor Fernando Silva, de Americana, espera há nove anos por um transplante de rim. Com diabetes diagnosticada ainda na infância, ele perdeu a função dos rins e faz hemodiálise por até quatro horas, pelo menos três vezes por semana.
A situação dele ocorre em meio à fila de transplantes no estado de São Paulo, que reúne mais de 29 mil pacientes e teve aumento de 11% no número de pessoas em relação ao ano anterior. Segundo Francisco Monteiro, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, não há órgãos em quantidade suficiente para atender toda a demanda.
Rotina durante a espera
Fernando chegou a aguardar por cinco anos um transplante conjunto de pâncreas e rim, na tentativa de tratar os dois problemas de saúde. Ele foi chamado para o procedimento, mas os exames finais indicaram que não poderia realizar a cirurgia.
A espera por transplante em São Paulo
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
Depois disso, deixou a lista para o transplante duplo e passou a aguardar somente por um rim. Nos intervalos do tratamento, trabalha em casa, mas relata que a hemodiálise o deixa fisicamente debilitado.
Em Campinas, o vigilante Julio Cesar, de 46 anos, voltou à lista de espera em 2022. Ele já havia recebido um rim, mas perdeu o órgão após contrair Covid durante a pandemia e permanecer 36 dias em uma UTI.
Falta de órgãos amplia a fila
De acordo com Monteiro, a mortalidade entre os pacientes em espera varia conforme o órgão necessário, a gravidade do quadro e o tempo até o transplante. Pacientes cardíacos ou hepáticos, por exemplo, podem precisar de internações prolongadas e do uso contínuo de medicamentos invasivos enquanto aguardam.
A legislação brasileira prevê que a doação de órgãos depende de autorização expressa da família. Para o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, a conversa entre familiares sobre a vontade de doar pode elevar o número de procedimentos: ele estima que de 30% a 35% dos potenciais doadores deixam de ser utilizados porque a família não autoriza.
O que muda para quem aguarda
Para pacientes como Fernando e Julio, a ausência de um órgão disponível mantém a dependência de tratamentos e restrições médicas. A fila estadual inclui pessoas à espera de diferentes tipos de transplante, e a prioridade depende das condições clínicas de cada paciente, segundo o coordenador do sistema.
Com informações de g1.

