Publicação aponta que vídeos enganosos e informação de baixa qualidade se tornaram ameaças digitais às eleições.
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Vídeos falsos produzidos com inteligência artificial e conteúdos de baixa qualidade passaram a representar a principal ameaça digital às eleições e à democracia, segundo o Guia Internet, Democracia e Eleições, lançado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) na terça-feira (22).
O documento afirma que a desinformação deixou de circular apenas em espaços isolados e passou a se espalhar simultaneamente por diversas plataformas. Para o CGI.br, o vídeo se tornou o formato mais usado, geralmente acompanhado de uma mensagem curta que dá aparência de legitimidade à narrativa enganosa.
Como a desinformação se espalha
A publicação analisa o funcionamento dos sistemas de recomendação de conteúdo e o uso de inteligência artificial generativa no ambiente eleitoral. Também aborda recursos como deepfakes e modelos de linguagem conversacionais, que podem tornar materiais falsos mais convincentes.

Segundo os estudos reunidos pelo comitê, a principal preocupação em relação às deepfakes é o grau de realismo. O aprimoramento desse tipo de conteúdo pode dificultar a identificação de falsificações até por pessoas com mais experiência em avaliar informações.
O guia alerta ainda que a circulação de materiais falsos pode criar desconfiança até sobre conteúdos verdadeiros. Na avaliação do documento, a perda de confiança em instituições, somada à polarização política, favorece um ambiente em que convicções pessoais podem pesar mais do que a checagem dos fatos.
Papel das plataformas e dos influenciadores
A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, afirmou que as plataformas digitais ocupam posição central na forma como os brasileiros se informam sobre acontecimentos no país e nas cidades. Ela observou que esses ambientes pertencem a empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não necessariamente pelo interesse público.
O estudo também trata da atuação de influenciadores. Embora reconheça o alcance desses comunicadores, o guia diferencia sua atividade do jornalismo ao apontar que eles não seguem um código de ética nem respondem institucionalmente pela veracidade do que divulgam.
Orientações reunidas no guia
Disponível no site do CGI.br, o material reúne diretrizes para o enfrentamento institucional da desinformação e orientações para evitar tanto o consumo quanto o compartilhamento de conteúdos falsos ou enganosos.
O documento descreve ainda o efeito chamado de racionalidade motivada: pessoas tendem a buscar informações que confirmem suas crenças e a rejeitar conteúdos que as contrariem. Segundo o guia, esse comportamento pode reforçar posições ideológicas e ampliar a dificuldade de circulação de informação verificada.
Com informações de Agência Brasil.

