Filha de uma fêmea que circula entre Brasil e Argentina, ela foi filmada investigando o rastro de outra onça no Parque Nacional do Iguaçu.
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Manchita, uma onça-pintada de cerca de um ano e meio, foi registrada pela primeira vez em território brasileiro na região do Parque Nacional do Iguaçu. A jovem é filha de Kunumi, fêmea conhecida por circular entre Brasil e Argentina.
As câmeras flagraram Manchita cheirando uma árvore por onde havia passado, no dia anterior, outra fêmea, chamada Uayara. Segundo o Projeto Onças do Iguaçu, ela fazia o reflexo de Flehmen, comportamento usado para analisar sinais químicos deixados no ambiente.
O que o comportamento revela
De acordo com Yara Barros, bióloga e coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, o reflexo direciona moléculas do odor para o órgão vomeronasal, especializado na percepção de sinais químicos. Por essas marcas, a onça pode identificar informações como sexo, identidade e condição reprodutiva de outro animal.

Os rastros podem vir de urina, fezes ou secreções glandulares. A permanência do cheiro varia conforme a superfície e o tempo: chuva, sol, temperatura, umidade e circulação do ar podem fazê-lo desaparecer mais rapidamente, enquanto locais protegidos podem conservar substâncias detectáveis por dias ou até semanas.
O Flehmen não ocorre só entre onças-pintadas. O comportamento também é observado em outros felinos, como pumas, tigres e gatos domésticos, além de cavalos, bovinos, cabras, cervos e antílopes. Nas onças, a reação é mais sutil, com a boca levemente aberta, focinho franzido e cabeça levantada.
Deslocamento entre os dois países
O registro indica que Manchita já usa a paisagem dos dois lados da fronteira. Segundo Yara Barros, pelo menos 11 onças são conhecidas por utilizar áreas do Brasil e da Argentina nessa região, e o Rio Iguaçu não impede o deslocamento dos animais.
As onças locais pertencem a uma mesma população, distribuída pela área compartilhada entre os dois países. Essa conexão favorece o acesso a alimento, áreas adequadas e parceiros reprodutivos, além de contribuir para o fluxo genético da espécie.
Próximos registros devem mostrar área ocupada
Um único registro ainda não permite definir toda a área de vida de Manchita, informou o projeto. O monitoramento deverá indicar se ela vai se estabelecer na região e o quanto seus trajetos coincidirão com os da mãe.
As fêmeas de onça-pintada costumam estabelecer áreas próximas às da mãe depois de se tornarem independentes, comportamento conhecido como filopatria. Durante o período em que acompanham a mãe, os filhotes podem conhecer caminhos, pontos de descanso, locais de caça e rotas mais seguras de deslocamento.
Com informações de g1.

