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Tatuí: Família de empresário morto por policiais civis à paisana nega troca de tiros: ‘Foi brutalidade’, diz irmã

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Segundo a Polícia Civil, sete policiais civis estavam à paisana durante operação, quando abordaram Vicente Antônio Júnior em frente de sua propriedade rural e houve tiroteio. Família de Tatuí (SP) nega versão e busca respostas.

Dois dias depois do crime, a família ainda busca por respostas pela morte do empresário Vicente Antônio Júnior, de 33 anos, que morreu após ser baleado por policiais civis à paisana perto do seu sítio, no bairro rural Água Branca, em Tatuí (SP).

Segundo a Polícia Civil, sete policiais civis que estavam à paisana, com carros sem identificação, afirmaram durante depoimento que estavam no local para uma investigação e que o empresário morreu em uma troca de tiros, que teria acontecido mesmo depois que os policiais se identificaram.

Porém, a família da vítima não acredita nessa versão. Em entrevista à TV TEM, a irmã de Vicente, Mariah Roberta Camargo Elias, afirmou que as testemunhas disseram que não houve troca de tiros.

“A versão do que aconteceu realmente pelas testemunhas é totalmente diferente. Não teve troca de tiros. Eles estavam indo para o sítio. Na estrada o Júnior viu três carros seguindo ele e falou que tinham três carros seguindo. A testemunha achou estranho. Chegaram na porteira do sítio. Ele dirigindo. A testemunha saiu do carro para abrir a porteira e nisso aconteceu uma confusão. Ele não ouviu tiro e ele disse que não viu o Junior atirar”, diz Mariah.

No carro, junto com o empresário, estavam um prestador de serviços da cerâmica da família e um adolescente, filho desse funcionário. Segundo a irmã, o rapaz que estava com Vicente afirmou que o empresário se assustou e deu ré. Foi então que começaram os tiros.

“Ele contou que o carro estava na porteira e eles abordaram o carro. E o Júnior se assustou, deu ré e começaram a atirar nele muito. Aí o carro capotou. Durante toda essa confusão, o Júnioficou na frente do menino que estava dentro. Ele ainda conseguiu proteger o menino. Ele conseguiu ser o que sempre foi, quis ajudar o menino porque nem levou uma bala. Ele levou um monte de bala no corpo”, afirma emocionada.

Ainda segundo Mariah, a arma que ele tinha no veículo era apenas para proteção, já que o empresário havia sido assaltado no local.

“Esses últimos meses entraram várias vezes no sitio do meu pai e tinha a arma como proteção. Ele abriu um boletim por estar sendo ameaçado e as pessoas ficavam ameaçando. Ligou várias vezes para a polícia ajudar”, diz.

A irmã ainda questiona como os policias não viram que o carro que Vicente dirigia estava identificado com o logo da empresa. Afirma que o prestador de serviços que estava com ele ainda foi agredido pelos policiais e pede por justiça.

“O carro era adesivado e dava para ver quem estava dentro. Muita brutalidade. Não tem explicação. Eu estou muito indignada com essa situação.Só não sabemos o motivo disso.”

Homicídio

Corregedoria da Polícia Civil investiga caso — Foto: Adolfo Lima/TV TEM

  Corregedoria da Polícia Civil investiga caso — Foto: Adolfo Lima/TV TEM

 

O caso foi registrado na terça-feira (4). O empresário, acompanhado de um funcionário e do filho do empregado, já estava em frente a porteira do sítio que costumava frequentar na estrada do Água Branca quando foi abordado.

Sete policiais civis, entre delegados e investigadores, estavam à paisana realizando uma operação quando se aproximaram em carros não identificados. Eles teriam avisado que eram da Polícia Civil, mas contaram que foram recebidos com tiros e reagiram.

O motorista Vicente Antonio Elias Júnior, de 33 anos, teria dado ré, atingindo a viatura da polícia e depois capotou. Apenas o empresário foi atingido e acabou morrendo.

O corpo do empresário foi enterrado na quarta-feira (5), em Tatuí. As armas e os carros foram apreendidos e passaram por perícia.

As testemunhas e os policias já prestaram depoimento, e o caso está sendo investigado pela corregedoria da Polícia Civil. A Delegacia Seccional de Itapetininga investiga o caso. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que o caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil e que a ocorrência foi registrada como morte decorrente de oposição à intervenção policial no plantão da Delegacia de Tatuí. Ainda segundo o órgão, todas as circunstâncias do caso estão sendo apuradas.

Imagem capa: Reprodução

Com informações do G1

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