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São Carlos: PM aposentado esfaqueado precisou de 9 bolsas de sangue: ‘Devo a Deus e aos doadores’

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Série especial do G1 ‘Doe Vida’ mostra importância do ato voluntário para salvar vidas. Campanhas também ajudam a difundir a solidariedade e incentivam mais doações.

O sargento aposentado Reginaldo Barbosa da Silva, de 52 anos doou muito sangue quando era policial em São Paulo, mas nunca pensou, mesmo exercendo uma profissão de risco, que precisaria que pessoas também doassem por ele.

Mas precisou, e muito! Em 10 de julho ele levou seis facadas quando tentava impedir um assalto a um posto de combustíveis em São Carlos (SP). Uma delas atingiu a artéria na coxa e Silva perdeu 82% do seu sangue. “Para os médicos eu fui dado como morto”, contou.

Ele chegou a ficar em coma e, ao longo de três dias, tomou nove bolsas de sangue. Após receber alta, a família comemorou a ‘nova vida’ com um almoço e um bolo.

G1 São Carlos e Araraquara iniciou no domingo (25), Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue, a série de reportagens ‘Doe Vida’, que fala sobre a doação de sangue na região, o perfil do doador e a importância do ato voluntário que salva vidas. Veja no final do texto as outras 4 reportagens.

Recuperação

Quatro meses depois, Silva está recuperado e acredita que sua vida foi salva pela rapidez do atendimento que teve e do sangue que recebeu.

“Eu ainda não estou 100%, mas estou 90%. Devo isso a Deus e às pessoas que doaram sangue.”

A família fez uma campanha para coleta de sangue para repor o banco de sangue da Santa Casa de São Carlos.

“Eu acredito na lei do retorno. Um dia você ajuda e um dia você precisa de ajuda”.

Não foi a única campanha que família fez. Em outubro, também foi feita uma grande mobilização nas redes sócias para tentar salvar a vida da netinha de Silva, de 6 anos, que foi diagnosticada com púrpura, uma doença rara do sangue.

A campanha conseguiu arrecadar um grande volume de sangue, mas infelizmente a menina não sobreviveu por complicações da doença.

Chance de precisar é maior

Segundo o Ministério da Saúde, as chances de uma pessoa precisar de sangue é três vezes maior do que ser doador.

A doação de sangue é totalmente voluntária e voltada para qualquer pessoa que precise de sangue, independente de parentesco com o doador. Mas muitas pessoas fazem campanha para pedir ou repor sangue utilizado por familiares.

O Ministério da Saúde estima que 32% das doações de sangue realizadas no país correspondem à doação de reposição, ou seja, quase um terço das doações de sangue vem das campanhas.

Campanhas

Essas campanhas são feitas por famílias de pacientes e entidades de classe. Uma mobilização tradicional em muitos lugares é a “sangue corinthiano”.

O precursor dessa campanha em São Carlos é o funcionário público Elizeu Misko Filho, de 62 anos.

Desde março de 2011 ele mobiliza os torcedores por meio das redes sociais duas ou três por ano e, em cada uma ele leva de 40 a 50 pessoas ao banco de sangue.

“Eu não faço nada de extraordinário. Eu faço o que está ao meu alcance. Tem muita coisa que a gente pode fazer em benefício do semelhante, mas cada um tem aptidões diferentes. Eu tenho aptidão para isso, me enquadrei e me sinto bem com isso”, diz.

Antes de ser doador Elizeu enfrentou o pânico de agulhas na infância e adolescência, mas venceu o medo e doou pela primeira vez quando fazia Tiro de Guerra. Desde então passou a doar sangue esporadicamente, o que mudou quando assumiu a campanha da sangue corintiano.

“O que me motivou foi ajudar as pessoas e tentar conscientizar as outras pessoas de que a doação é muito importante porque não há substituto para o sangue. Eu já era doador, só que não era constante. Então eu vi uma oportunidade de fazer alguma coisa em benefício de alguém de uma forma constante. Estar sendo útil”, afirma.

Ele não tem ideia de quantas pessoas ajudou, nem que são elas.

“Eu doava sangue para uma pessoa que eu não conheço. O banco de sangue dizia que o meu tipo sanguíneo era compatível e me chamava e eu sempre atendia o chamado, mas eu nunca quis saber quem era porque não importa a quem se você tiver ajudando alguém”.

Imagem: Reprodução

Com informações do G1

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