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Por que os jogadores de futebol choram tanto?

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Os jogadores de futebol choram quando ganham, quando perdem, quando erram chutes, quando convertem os decisivos…

Com uma careta de boneco quebrado grudada no rosto e todo um mundo de tragédia grega escorrendo por suas bochechas, Cristiano Ronaldo insistia: “Não fiz nada, não fiz nada!”. Mas tinha feito, sim, ou pareceu que tinha feito: puxar o cabelo de um adversário no jogo Valencia x Juventus pela Champions League, em 19 de setembro. O árbitro, um alemão impassível chamado Felix Brych (o melhor do mundo nos últimos rankings da FIFA) não se comoveu com o pranto do português. “Comigo não, violão. Vermelho e para o chuveiro”, parecia dizer enquanto segurava o cartão em riste.

A psicóloga clínica espanhola Imma Puig, que trabalha com atletas há 35 anos, tem a resposta clara: “Não se pode esperar comportamentos ordinários de jogadores extraordinários. Tudo tem a ver com uma emoção compartilhada: a dos milhares de espectadores que os estão vendo numa partida. O jogador, quando chora, como que se encarrega de toda essa emoção coletiva, por isso costuma dizer coisas como ‘precisamos que a torcida nos ajude’. Esses jogadores podem ganhar muitíssimo dinheiro, mas sem emoção ninguém faz nada, e eles tampouco. E são melhores na medida em que são capazes de assimilar essa emoção de milhares de pessoas”.

Uns choram de tristeza. Outros de alegria. Outros de uma mistura das duas coisas. Outros de impotência, e outros de sabe-se lá. Entre as explosões de pranto pertencentes à primeira categoria é impossível esquecer, por exemplo, a do brasileiro Ronaldinho após marcar um gol impossível contra o Figueirense com a camisa do Atlético Mineiro em 2012. Cabe dizer que seu padrasto, o homem que o criou, havia morrido na véspera. Por isso o ex-mago do Barçaolhava para o céu e chorava, e levantava seus dedos para o céu e chorava, e chorava. Algo parecido aconteceu com o sérvio Darko Kovacevic, da Real Sociedad, quando, no dia seguinte à morte da sua mãe, furou a meta do Mallorca. Também o argentino Martín Palermo, tosco, mas eficientíssimo atacante do Boca Juniors, Villarreal e Betis, provocou o delírio – e sua própria choradeira – ao marcar com a albiceleste contra o Peru, no último segundo, classificando a Argentina para a Copa. E ainda chorou mais, muito mais, quando o público da Bombonera, o estádio do Boca, o homenageou na sua despedida do futebol

Os jogadores de futebol choram quando ganham, quando perdem, quando erram chutes, quando convertem os decisivos, quando seu time sobe, quando cai, quando é substituído por outro jogador (eles acham que sempre sem motivo), quando recebem homenagens ao se aposentarem, quando não recebem, quando são xingados pelo público (o jogador Volkan Sen, do Trabzonspor turco, pediu às lágrimas para ser substituído depois de recriminado por sua própria torcida), quando um colega de time morre em campo (os da seleção de Camarões no caso de Marc-Vivien Foé, após desmoronar no gramado; os do Sevilla de Antonio Puerta, falecido no hospital horas depois de desmaiar no terreno de jogo). E até quando percebem que, afinal, não têm opção senão servirem o Exército. Está aí para provar a choradeira irrefreável de Son Heung-min, jogador da seleção da Coreia do Sul, quando, após a eliminação na Copa da Rússia, percebeu que já não poderia mais escapar do (aparentemente terrível) serviço militar coreano.

Por que choram os jogadores?

Por puro silogismo, ora.

Porque a vida é um psicodrama. E o futebol é a vida. Logo, o futebol é um psicodrama.

Com informações do El País
Imagem de capa:Cristiano Ronaldo após ser expulso em 19 de setembro. JOSÉ JORDÁN (AFP)

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