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Longe dos olhos, longe do coração

De alguma maneira, quem controla tende a incluir nessa ação uma mistura de força e domínio.

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“Tudo é e não é…” Guimarães Rosa

“Os olhos são como uma luz para o corpo: quando os olhos de vocês são bons, todo o seu corpo fica cheio de luz. Porém, se os seus olhos forem maus, o seu corpo ficará cheio de escuridão. Assim, se a luz que está em você virar escuridão, como será terrível essa escuridão!” Ensinamento Jesus Cristo, O mestre dos mestres, em Mateus capítulo 6 e versículos 22 ao 23.

Sinceramente acredito não ter como negar que através da nossa visão e audição podemos realmente melhorar as nossas condições de crescimento e progresso. E se de fato nós acreditamos nisto, então nossos olhos e ouvidos são as principais janelas da nossa alma, ou seja, por onde penetra tudo aquilo que produz influência em nossa vida, aquilo que nos forma.

“Todos nós nascemos originais e morremos cópias” Carl Jung que foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço. Penso que ele nos desafia para a seguinte reflexão: de que muitos de nós, no decorrer da jornada de nossas vidas corremos o risco de perdermos a nossa identidade. Para tal fenômeno, talvez um dos principais motivos seja exatamente nosso sistema audiovisual pois certamente ele afeta a maneira como pensamos, sentimos, desejamos e agimos, ou seja, afeta a maneira como respondemos a quase todas as situações em nossa vida.

“O Senhor criou tanto o olho humano, quanto o ouvido humano, com absoluta perfeição.” Palavras de Salomão em Provérbios 20.12

Sim, nossos olhos são uma das portas de entrada para o que acontece em nosso coração! Nosso mundo é muito complexo, a cada dia se passam muitas coisas diante de nós. Algumas sedutoras, outras cheias de malícia, outras desafiadoras, algumas que provocam medo, outras que produzem ansiedade… Enfim, vamos produzir no nosso coração aquilo que nossos olhos transportarem como matéria prima para dentro dele! Longe dos olhos, longe do coração!

Cada um de nós construímos nossas realidades. O impacto de qualquer situação por nós observada, depende do significado pessoal que daremos a elas. É, portanto, algo que está baseado na nossa própria interpretação, ou seja, algo que cada um de nós consentimos. Enxergamos, absorvemos, nosso coração processa e consentimos. Portanto, as mesmas situações podem ser vividas como diferentes realidades por diferentes pessoas.

Diante dos fatos, acredito que nossos julgamentos, escolhas, crenças e opiniões são relativamente comuns e apropriados às circunstâncias por nós observadas e absorvidas. É muito importante saber que nossa mente trabalha com a informação que tem em cada momento, até porque nossos olhos e ouvidos não tiram descanso.

Não podemos nos achar os únicos donos da verdade. Pessoas enxergam de maneiras diferentes e consecutivamente também transportam para o coração digerindo de maneiras diferentes. Então, escutando o que os outros pensam e opinam, temos a oportunidade de refletir sobre outros possíveis pontos de vista. E cabe destacar a palavra “refletir” porque isso não significa que cada opinião seja uma verdade! São simplesmente julgamentos pessoais, sem garantia de validade, tanto os dos outros quanto os nossos. Nesse sentido, as opiniões sempre contam com um ponto que varia de acordo com o julgamento de cada um.

Em suma, uma opinião não é uma verdade, não é possível afirmar uma opinião. Qualquer opinião pode estar mais ou menos fundamentada, mais ou menos argumentada. É importante entender que, todos os dias nossos olhos estão fixados noutras pessoas e em situações diferentes, então, formar opiniões sobre elas ou situações de maneira leviana promove diferentes níveis de injustiça que não têm uma base firme e também não têm um fundamento válido.

Necessitamos de uma “vida vivida” e não apenas visualizada, não apenas pensada, sonhada, projetada e idealizada. Não podemos nos dar o desprazer de uma vida onde quase nada acontece. Uma vida organizada para que nada nos aconteça.

“Não se deixem ser pegos pelo dogma de viver com os resultados dos pensamentos das outras pessoas. Não permita que o ruído das opiniões dos demais abafe a sua própria voz interior”.

-Steve Jobs-

Opa e agora, meus olhos contaminaram meu coração, que farei? Como ouvimos por aí, quando o caos reina, o melhor remédio é sempre a calma para retornar ao caminho.

Portanto, devemos ter isso em conta: as emoções que absorvemos e nos contaminaram, se não regularmos hoje vão transbordar amanhã. Se essa situação se tornar crônica, podem aparecer condições como a ansiedade generalizada e a depressão.

De alguma maneira, quem controla tende a incluir nessa ação uma mistura de força e domínio.

As emoções sempre estão presentes em nossos corações por um motivo, e devemos nos perguntar o que elas esperam de nós. Por isso, levantar o olhar para o horizonte sempre é uma estratégia útil frente ao estado de alarme. Isso serve para entrar em nosso ambiente mental e nos encontrarmos conosco. Uma vez lá dentro, podemos perguntar a nós mesmos o que está acontecendo e o porquê. Sem contar que, de fato, tem decepções que nos fazem abrir os olhos e fechar o coração.

Nosso coração, deve ter apenas um único proprietário que somos nós mesmos e nossos olhos devem enviar as melhores informações pra ele permanecer saudável. Saúde esta que será importantíssima no processo do nosso viver. Se ele estiver são, então promoverá a nossa autonomia e será capaz de bombear o suficiente de amor próprio para ser donos de nossos caminhos e arquitetos uma vida digna.

Longe dos olhos, longe do coração!

Nossa dignidade própria não deve ser tocada por mãos alheias. Ninguém pode, ou deve, plantar as sementes de seus desejos egoístas no nosso coração, nem nos vender metas que não se encaixam com os nossos valores.

Existem territórios que são privados e que ninguém pode ultrapassar. Atender as propriedades de nosso ser é algo que diz respeito a nós mesmos, é uma tarefa de higiene diária que não pode ser negligenciada em nenhum momento.

Quando algo acontece ao nosso redor que vai contra os nossos valores ou quando alguém nos impõe a sua opinião ou quer nos obrigar a fazer algo que não gostamos, devemos olhar somente para os princípios e valores que estão armazenados em nossos corações, eles devem ser bons o suficiente para servirem de antidoto para tais circunstâncias.

Enfim, que possamos permitir que tudo flua e que nada negativo nos influencie. Vamos evitar que a adversidade seja um peso capaz de nos afundar, frustrando a nossa esperança e o nosso ânimo de viver. deixemos partir tudo aquilo que nos influencia com seus ventos obscuros e vamos avançar.

Devemos ter em nossos corações estes simples princípios todos os dias. Porque cada manhã, quando abrimos os olhos para a nossa nova jornada, enfrentamos tantos novos desafios.

 

Imagens: reprodução

 

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