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Limeira: Tia de vítima de incêndio no CT do Flamengo guarda recortes de jornais: ‘Mostrar onde começou’

Registros guardam primeiras imagens de Rykelmo de Souza Viana quando ainda morava em Limeira. Jovem é um dos 10 mortos do incêndio de sexta-feira (8) no Rio de Janeiro

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Do G1 – A coleção de recortes de jornais com fotos de Rykelmo de Souza Viana, reunidos pela tia do adolescente, guarda os primeiros passos dele no futebol, ainda pequeno, em um time amador de Limeira (SP) onde nasceu. Ele é uma das vítimas do incêndio que atingiu o Centro de Treinamento da categoria de base do Flamengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ).

No arquivo pessoal, a “curadora” Darci Viana, que também é madrinha do adolescente de 16 anos, tinha como único objetivo registrar as origens da trajetória de Bolívia – como preferia ser chamado –, que sonhava em ser um craque da bola e que jogava na base do Clube de Regatas do Flamengo.

“Eu falei para ele que quando ele estivesse brilhando, a madrinha ia levar [para mostrar para ele] onde ele começou”, lembra Darci.

Arquivos guardam início da carreira de Bolívia

O zelo que a tia tinha em preservar as conquistas de Bolívia no esporte era tanto que as fotos foram plastificadas. Em uma dessas imagens, o jovem, na época que ainda criança, aparece como parte da equipe da categoria sub-09 de um time do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira.

Tia, que também era madrinha, guardou recortes de jornal dos primeiros passos de Rykelmo no futebol — Foto: Reprodução/EPTVTia, que também era madrinha, guardou recortes de jornal dos primeiros passos de Rykelmo no futebol — Foto: Reprodução/EPTV

Tia, que também era madrinha, guardou recortes de jornal dos primeiros passos de Rykelmo no futebol — Foto: Reprodução/EPTV

A tia lembra, emocionada, a força de vontade do volante do Clube de Regatas do Flamengo em construir aos poucos sua história e que estava quase mudando de categoria no time carioca. É enfática também em dizer que tudo o que alcançou não foi em vão.

“Ele ia brilhar, mas agora ele vai brilhar lá em cima”, lamenta.

Amigos de infância

Dentre os presentes no enterro de Rykelmo, que aconteceu nesta segunda-feira (11), também estavam Pedro Sanches e Leonardo Fenga, amigos de infância. Os três se conheceram na escolinha de futebol do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade e jogaram na mesma época no Independente de Limeira, além de terem feito testes juntos para o Grêmio.

“Ele era um cara sempre muito esforçado em tudo que fazia. Passei a minha vida inteira com ele, desde os oito anos jogamos juntos. Muito triste saber de uma situação dessas”, lamentou Fenga.

Dos três, na época, somente Fenga foi aprovado no Grêmio. Sanches abandonou o sonho da carreira no futebol e Rykelmo foi para a Portuguesa Santista, onde chamou a atenção do Flamengo, clube pelo qual jogava havia três anos.

Indignação

A irmã do jogador, que também compareceu ao enterro, relembrou os últimos momentos com ele em família. “Estávamos tristes porque ele já estava voltando para o Rio de Janeiro, mas também felizes porque ele estava ali com a gente. Foi o momento que Deus me deu de despedida do meu irmão”, relembra.

Além da tristeza, de acordo com o ela o sentimento que ficou foi de indignação não só por parte dela, mas também das famílias das outras nove vítimas.

“Tem dez famílias sofrendo por crianças que estavam lá e os pais estavam achando que elas eram bem zeladas, cuidados, que estavam amparadas. E não eram. Essas crianças viviam em contêineres. Quando meu pai foi pra lá, minha esperança era de escutar que meu irmão estava bem, mas infelizmente não foi a resposta que tivemos”, desabafa.

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