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Limeira: Bispo renuncia em meio a investigação sobre extorsão, enriquecimento e abusos

Renúncia foi aceita pelo Papa Francisco e divulgada no site do Vaticano com carta de bispo. 'Sinto-me pequeno', disse dom Vilson no texto; veja na íntegra.

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O bispo da Diocese de Limeira (SP), dom Vilson Dias de Oliveira, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (17). O pedido foi aceito pelo Papa Francisco, que já nomeou dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida (SP), para o cargo.

Oliveira é investigado por extorsão e enriquecimento ilícito, além de encobertar supostos casos de abuso sexual cometidos por um padre em Americana (SP), que está suspenso das funções de reitor e pároco da Basílica Santo Antônio de Pádua.

O anúncio da renúncia foi feito pelo site do Vaticano, que publicou ainda, na íntegra, a carta de dom Vilson. No texto, ele agradece o acolhimento que teve em Limeira e das cidades vizinhas, além de falar sobre os 12 anos que passou como bispo na diocese.

Oliveira diz ainda que a igreja na cidade, ele e outros presbíteros sofreram ataques durante o período e reconhece as “limitações” que tem, mas não cita nada sobre as acusações apuradas pela Polícia Civil.

O Vaticano ainda não informou quando dom Orlando Brandes, nomeado para substituir Oliveira, vai assumiu o cargo.

Leia abaixo a carta completa de Oliveira:

“Sinto-me pequeno”

Em carta lida esta manhã aos fiéis, o bispo escreve:

“Diz bem o conhecido ditado: ‘um planta, outro rega’!

Queridos irmãos e irmãs, nesses últimos meses enfrentamos todo tipo de cruzes, por meio de ataques à nossa Igreja Particular de Limeira, a mim e a vários presbíteros. Reconheço minhas limitações, mas também levo no coração todo amor que aqui recebi do bom Povo de Deus presente nos 16 municípios que compreendem esta Igreja Particular de Limeira.

Com imensa gratidão, digo-lhes que sempre fui muito bem acolhido e aceito pelo povo desta importante Diocese de Limeira. Hoje me despeço de vocês como Bispo Diocesano e peço minha renúncia por amor à Igreja de Cristo e pelo bem desta Diocese para que os trabalhos pastorais possam continuar crescendo e se fortalecendo com a doação incansável de cada um de vocês que se dedicam ao Reino de Deus.

Foram quase 12 anos de minha nomeação (13/06) que tive a oportunidade de servir ao Senhor e à Santa Mãe Igreja nestas terras, enfrentei com alegria cada desafio da realidade aqui encontrada. Sei que a dimensão pastoral é imensa, e muito trabalhei para isso. No entanto, neste momento, sinto-me pequeno frente à grandeza da missionariedade que esta Igreja Particular tomou em suas proporções.

Levo no meu coração este aprendizado, na confiança e certeza de que a obra é de Deus, e me coloco à disposição da Santa Mãe Igreja para servi-la não importando o lugar e o ministério a mim confiado por Deus daqui para frente.

Minha bênção episcopal na certeza de que o Espírito Santo conduz a Igreja e cada um dos diocesanos que aqui se doaram e se doam no serviço eclesial.

Que Deus, por intercessão de Nossa Senhora das Dores, padroeira da Diocese de Limeira, nos abençoe e nos guarde. Em Cristo Jesus, nossa paz. Com estima,

Dom Vilson Dias de Oliveira, DC”

Investigações

Além da Polícia Civil, o Vaticano também investiga Dom Vilson. O bispo dom João Inácio Muller, encarregado da apuração, ouviu depoimentos de padres em paróquias da região de Limeira durante uma semana em fevereiro.

Em seguida, dom João Inácio encaminhou um relatório ao núncio apostólico em Brasília (DF), o arcebispo dom Giovanni d’Aniello, representante do papa no Brasil.

As denúncias

Dois inquéritos policiais investigam dom Vilson, um na Delegacia Seccional de Piracicaba (SP) e outro na seccional de Limeira.

O resultado parcial da investigação da Seccional de Limeira foi documento de mais de 300 páginas que cita denúncias de extorsão para enriquecimento ilícito.

Em um dos casos, de 2012, um então integrante do conselho consultivo de uma igreja em Americana afirma em depoimento que um pároco, na época, disse aos conselheiros que o bispo dom Vilson pediu a doação de R$ 50 mil. Ele deu a entender que aquela quantia era para uso particular, insinuando que seria para compra de um imóvel.

O conselho não autorizou a doação, já que era para uso particular. O padre confirmou em depoimento à polícia que, por causa da negativa da igreja, o bispo pediu a contribuição dos R$ 150 mil para obras na Diocese de Limeira – ameaça que ele tinha feito caso não conseguisse a doação.

Em outra denúncia de extorsão, em 2015, o bispo dom Vilson teria pedido R$ 4 mil a um padre de uma paróquia em Artur Nogueira (SP). O padre disse, em depoimento, que o dinheiro era para construir um poço artesiano na casa de praia de dom Vilson, em Itanhaém (SP), na baixada santista.

Dom Vilson entregou documentos para o inquérito da polícia que confirmam que ele comprou dois imóveis no litoral sul de São Paulo nos últimos quatro anos no valor de mais de R$ 1 milhão.

Em depoimento, ele alegou que tudo foi comprado com dinheiro que vem do patrimônio da família dele e com recursos que ele recebeu das atividades religiosas, e também do salário que recebe da Diocese, R$ 12 mil por mês.

A Polícia Civil de Limeira encaminhou o inquérito para o Ministério Público Estadual (MP-SP), que devolveu à corporação em 24 de abril para que fossem feitas novas diligências.

Já o inquérito da Seccional de Piracicaba também segue em andamento e teve o prazo prorrogado por mais 30 dias. Nesta apuração, dom Vilson também é investigado por acobertar os supostos abusos do padre Pedro Leandro Ricardo, de Americana.

Um terceiro inquérito, da Polícia Civil de Araras (SP), apura somente os supostos abusos do padre Leandro Ricardo. As denúncias contra o bispo e o padre foram reveladas por reportagem do jornal Folha de S. Paulo em 29 de janeiro deste ano. Com informações do G1.

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