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Itália obriga filmes a estrear primeiro nos cinemas

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Ministro dos Bens Culturais anuncia decreto que veta lançamento em streaming antes de os longas cumprirem sua carreira no circuito de salas. Justificativa da medida é a proteção do circuito exibidor

O ministro dos Bens Culturais da Itália, Alberto Bonisoli, anunciou a decisão de obrigar, por decreto, que os filmes sejam lançados primeiro nas salas de cinema para só depois ficarem disponíveis nas plataformas de streaming. “Hoje (quarta-feira, 14) vou assinar o decreto que regula as bases segundo as quais os filmes terão que ser distribuídos primeiramente nos cinemas e depois em todas as plataformas”, disse, em mensagem de vídeo destinada a um ato da Confederação Italiana do Comércio (Confcommercio).

Segundo Bonisoli, é “importante garantir que quem dirige uma sala esteja tranquilo em poder programar filmes sem que estejam disponíveis em outras plataformas simultaneamente”. O decreto referido pelo ministro é a implementação da lei do cinema de 2016 e diz respeito apenas aos filmes italianos. Até agora, na Itália, não existiam regras sobre essa questão, apenas era respeitada a mesma prática da Alemanha, que, após a estreia da produção no cinema, estabelece prazo de 105 dias para exibir o longa em outras plataformas.

Para Bonisoli, o decreto permitirá que “os gerentes dos cinemas aproveitem ao máximo o investimento para melhorar as salas e oferecer uma experiência de visualização cada vez mais emocionante”.

NETFLIX A nova medida foi tomada após a polêmica envolvendo representantes das salas de cinema e plataformas de streaming como a Netflix, que se aprofundou durante as edições deste ano dos festivais de Veneza e Cannes.Em setembro, atores e expoentes do mundo cinematográfico italiano protestaram contra a decisão do Festival de Cinema de Veneza de premiar o filme Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, com o Leão de Ouro.

O filme foi produzido pela Netflix e deverá ficar disponível na plataforma em dezembro. Considerado o mais pessoal e mais robusto filme do diretor de E sua mãe também e Gravidade, Roma havia sido selecionado pelo Festival de Cannes para competir pela Palma de Ouro, em maio passado. No entanto, a Netflix se recusou a endossar o compromisso exigido pelo festival de que o filme estreasse nos cinemas franceses antes de chegar à plataforma. Diante do impasse, Roma foi retirado da competição pela Palma, e os executivos da Netflix acusaram a organização do Festival de Cannes de anacronismo. No entanto, cineastas europeus renomados, como Pedro Almodóvar, apoiam a decisão do festival francês. O desacordo entre Cannes e a Netflix já havia surgido em 2017, quando Okja, do diretor sul-coreano Joon-ho Bong competiu pela Palma, e a Netflix se recusou a lançá-los nos cinemas.

Quando surgiu a dúvida se a plataforma de streaming lançaria ou não Roma nas salas de cinema durante a realização do Festival de Veneza, a Associação Nacional de Autores Cinematográficos (Anac), a Federação Italiana de Cinema de Ensaio (FICE) e a Associação Católica de Cinema (Acec) afirmaram ser “iníquo” que o maior prêmio do festival se transformasse num “veículo de marketing da plataforma Netflix”, a qual “coloca em dificuldade o sistema de salas de cinema”.

Após a vitória em Veneza e a aclamação quase unânime da crítica, a Netflix avaliou que o potencial de Roma no Oscar vai além da corrida pela estatueta de melhor filme estrangeiro – o título de Cuarón foi apresentado pelo México. Com a ambição de obter indicações nas categorias principais, incluindo melhor filme, a plataforma refez sua estratégia de lançamento do filme nos Estados Unidos e, pela primeira vez, promoverá um lançamento nos cinemas anterior à disponibilização para streaming. No próximo dia 21, o filme deve estrear em Nova York e Los Angeles. Em 7 de dezembro, ele será lançado em outras cidades. No dia 14, simultaneamente à disponibilização na plataforma, haverá também estreia num circuito mais amplo de cinemas.  Com informações do Uai.

Imagem:  NETFLIX/DIVULGAÇÃO

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