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‘Contos dos Orixás’ transforma divindades afro em super-heróis de gibi

Após financiamento coletivo, projeto de quadrinhos que busca quebrar preconceitos é lançado

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Um homem negro, forte com superpoderes. Poderia ser o Pantera Negra, mas aqui é o Rei Xangô, protagonista de Contos dos Orixás. O livro (Graphic Novel) de 120 páginas traz histórias de mitos do povo Yorubá no estilo dos heróis em quadrinhos da Marvel. O projeto do quadrinista Hugo Canuto, 32 anos, começou em 2016. Primeiro, com pôsteres e revistas. Dois anos e meio depois, acaba de ficar pronta a história em quadrinhos com narrativas cheias de ação com Yemanjá, Iansã , Oxum e outros. O lançamento será em São Paulo, no CCXP (Comic Con Experience), no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, que acontece de quinta-feira (6/12) até domingo (9/12).

O apoio veio principalmente do mundo dos quadrinhos e de muitas comunidades religiosas que cultuam os orixás como Candomblé, Umbanda e Santeria Cubana. “Tratamos o tema com respeito e cuidado, de modo a honrar a cultura e herança espiritual africanas, não entrar em polêmicas ou expor fundamentos sagrados”, explica Canuto. “Hoje, nosso trabalho é constantemente utilizado como referência em salas de aula, presente em livros didáticos, citado por teses universitárias e exposições em países como Estados Unidos e Inglaterra”.

‘Contos dos Orixás’ transforma divindades afro em super-heróis de gibi

Apesar de não ser uma obra estritamente religiosa, Canuto sabia da responsabilidade em falar sobre figuras sagradas para tantas pessoas, ainda mais sendo um autêntico soteropolitano. Fez a lição de casa. Visitou terreiros e estudou muito. “Tivemos sugestões, acompanhamento, com destaque para o professor Mawô Adelson S. de Brito, sacerdote e físico, principalmente nas questões da língua e cultura Yorubá, de quem fui aluno”.

Canuto explica que os Yorubá são uma das mais tradicionais civilizações da África Ocidental, originalmente de territórios onde hoje estão a Nigéria, e partes do Benin e do Togo. “Através da terrível diáspora, parte dos saberes disseminou para Brasil e Cuba”, conta. O artista lamenta a falta de representatividade da cultura afro-brasileira no nosso dia a dia. “Acredito no poder da arte e das histórias para transformar mentalidades, desconstruir pré-conceitos e ampliar os horizontes críticos e da imaginação”. Talvez esse seja o super-poder de Hugo Canuto: com um papel, um lápis e uma ideia distribuir mais que revistinhas. Uma ferramenta para dissolver preconceitos. “É um instrumento de força e empoderamento artístico na luta cotidiana por respeito, reconhecimento e resistência seculares”, conclui. Com informações do El País.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/07/cultura/1544220206_964262.html

Imagem: reprodução

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