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Campinas: Um mês após ataque na Catedral, polícia ouve sobrevivente, espera laudos e vai prorrogar inquérito

Força-tarefa que investiga o crime vai pedir mais 30 dias; missa vai homenagear vítimas nesta sexta. No dia 11 de dezembro, atirador invadiu igreja, matou 4 pessoas e cometeu suicídio.

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O inquérito que investiga o ataque na Catedral de Campinas (SP), que acabou na morte de cinco pessoas em dezembro do ano passado, será prorrogado por 30 dias. De acordo com a Polícia Civil, a força-tarefa, que apura a motivação do crime e a origem da arma usada pelo atirador Euler Fernando Grandolpho, vai ouvir o último sobrevivente nesta sexta-feira (11), quando se completa um mês da tragédia, e ainda aguarda a conclusão dos laudos elaborados pela perícia.

No dia 11 dezembro de 2018, Euler Fernando Grandolpho abriu fogo contra fiéis logo após uma missa na Catedral de Campinas, matou quatro pessoas, deixou outras três feridas e em seguida se matou. Após análises de trechos de um diário escrito por ele, áudios e ouvir depoimentos de vítimas, testemunhas e familiares do atirador, a polícia concluiu que ele agiu sozinho, escolheu o local aleatoriamente e cometeu o crime porque se “sentia perseguido”.

O diretor do Departamento de Polícia Judiciário de São Paulo Interior (Deinter 2) e chefe da Polícia Civil em Campinas, José Henrique Ventura, afirmou ao G1 na quinta-feira (10) que o inquérito está “quase finalizado”, mas a prorrogação será necessária por conta do depoimento da última vítima, que precisou passar por cirurgia para a retirada de uma bala e não pôde falar antes, além da espera pelos laudos de todas as perícias, inclusive a que foi realizada no dia 21 de dezembro com um scanner 3D.

“Vamos ouvir a vítima, reiterar a urgência no encaminhamento dos laudos faltantes e pedir a dilação do prazo ao juiz por mais 30 dias”, afirmou o delegado.

Polícia Civil de Campinas (SP) encontrou foto de 2016 em que Euler Grandolpho "treinava" com a pistola que usou na chacina da Catedral — Foto: Reprodução/Polícia Civil

Polícia Civil de Campinas (SP) encontrou foto de 2016 em que Euler Grandolpho “treinava” com a pistola que usou na chacina da Catedral — Foto: Reprodução/Polícia Civil

 

Ventura ainda informou que a arma do crime, uma pistola CZ 9mm, além do revólver calibre 38 que estava com o atirador, mas não foi usado no crime, não tinham documentação legalizada e “provavelmente” foram comprados no Paraguai. A suspeita foi levantada depois da investigação descobrir viagens de Grandolpho ao país vizinho nos últimos anos.

De acordo com o delegado, o Instituto Médico Legal (IML) constatou que o atirador foi morto pelo disparo que ele fez contra o próprio ouvido.

A Arquidiocese de Campinas tenta retomar a vida após a tragédia. O Monsenhor José Eduardo Mischiatti não especificou o valor dos prejuízos na igreja, mas disse que os reparos já foram realizados. Uma missa em homenagem às vítimas do ataque será realizada na Catedral nesta sexta, às 12h.

Detalhe da numeração raspada da arma utilizada pelo atirador da Catedral de Campinas (SP) — Foto: Fernando Evans/G1

Detalhe da numeração raspada da arma utilizada pelo atirador da Catedral de Campinas (SP) — Foto: Fernando Evans/G1

Áudios

Em dezembro, a Polícia Civil divulgou dois áudios gravados pelo atirador. Em um deles, Euler Fernando Grandolpho afirma que “a alma vai ficar em paz”. Os áudios estavam em um gravador apreendido na casa do autor do crime, e foram gravados em 2016. Ouça.

Trechos do diário escrito pelo atirador também mostraram que ele planejava a chacina desde 2008, segundo o delegado José Henrique Ventura.

Além disso, uma foto também apreendida durante as investigações mostra que Grandolpho “treinava” com a arma usada no crime na casa dele, em Valinhos (SP). Em outros trechos do diário, ele também fala em fazer “algo grande”.

Atirador faz disparos dentro da Catedral Metropolitana de Campinas; câmera de monitoramento da igreja registrou ataque. — Foto: Reprodução/EPTV

Atirador faz disparos dentro da Catedral Metropolitana de Campinas; câmera de monitoramento da igreja registrou ataque. — Foto: Reprodução/EPTV

O ataque

Entre as vítimas, quatro morreram no local. Heleno Severo Alves, 84 anos, foi socorrido ao Hospital Mário Gatti, onde passou por cirurgia, mas não resistiu e teve óbito confirmado no dia seguinte.

Segundo a polícia, o atirador fez tratamento contra depressão e a família temia que ele cometesse suicídio. Ele não tinha antecedentes criminais, estudou publicidade e propaganda e foi assistente de promotoria no Ministério Público de São Paulo onde, segundo o órgão, exonerou-se em 2014.

Entre as explicações do crime, estão o fato de Grandolpho ter tido uma espécie de surto psicótico em decorrência de depressão. Segundo parentes e testemunhas que conviviam com ele, o atirador tinha mania de perseguição e teve atritos com vizinhos.

Homem atira e mata fiéis durante missa na catedral de Campinas — Foto: Arte / G1

Homem atira e mata fiéis durante missa na catedral de Campinas — Foto: Arte / G1

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