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‘Vazante’, filme de Daniela Thomas, aborda o período escravocrata

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Escrito por: Redação

Eram várias as questões que “comoviam muito” a cineasta Daniela Thomas na história de Vazante, o filme que ela escreveu (com Beto Amaral) e dirigiu sozinha, depois de uma série de parcerias com diretores como Walter Salles (Terra estrangeiraO primeiro dia, Linha de passe) e Felipe Hirsch (Insolação).

“O encontro de diásporas, num lugar onde antigos escravos eram substituídos por novos escravos, que chegavam sem saber para onde haviam sido levados; uma criança vendida e largada pela família; a ideia desse destino inescapável e a incapacidade de sequer verbalizar para si próprio ou para as pessoas com quem você convive e ama o que está sentindo”, cita Daniela, em entrevista ao Estado de Minas.

Embora se sentisse tocada pelas circunstâncias desses personagens instalados na região do Serro, em Minas Gerais, no ano de 1820 – entre os quais ela dividiu sua atenção “sem a ideia de dar protagonismo ou não protagonismo” a uns em detrimento de outros –, a diretora optou por uma escrita cinematográfica que evita conduzir as emoções do espectador.

“Fiz um filme muito seco em sua estrutura dramática e na decupagem. Não tem trilha sonora. Nenhuma cena é manipulada para que você sinta isso, aquilo ou aquilo outro. Todo som que está ali é o som que esteve ali naquele momento. Toda a música é diegética (faz parte da ação). Não há um travelling mostrando a beleza daquela paisagem”, enumera a diretora, apontando elementos de uma cartilha de austeridade cinematográfica desenvolvida e praticada por expoentes da sétima arte como o dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968).

A “secura” de Vazante é um modo de deixar o terreno dramatúrgico desbastado para que o filme formule sem distrações a hipótese que impulsionou Daniela a criá-lo: “Era possível que o afeto sobrepujasse cultura, tradição, Estado, igreja – todas aquelas forças terríveis que se interpunham entre as pessoas naquela época?”. A pergunta é desenhada na história a partir do apaixonamento de uma menina branca e um menino negro. Com informações do Uai.

Imagem de capa:: Inti Briones/Divulgação

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