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Snooker ou sinuca. Do império inglês ao boteco da esquina

Tom Nishi
Escrito por: Tom Nishi

Por Tom Nishi – O futebol não é o único jogo de origem britânica que os brasileiros, principalmente (mas não somente) os homens, adoram. O snooker, que em terras tupiniquins foi traduzido para sinuca, também seguiu esse caminho, com a vantagem de poder ser praticado por qualquer pessoa, não importa o quão fora de forma esteja.

Por aqui, joga-se sinuca em bares, festas, alguns comércios e até mesmo em barbearias modernas. No século XIX, o bilhar já era popular entre militares britânicos, especialmente os alocados na Índia, que, na época, era a colônia que mais rendia lucros para a Inglaterra. Em 1875, o jogo adquiriu bolas de diversas cores e regras mais parecidas com o que se tornou o snooker.

O próprio nome do jogo remete aos militares ingleses, pois snooker era uma palavra usada por oficiais experientes para se referirem de maneira jocosa e pejorativa aos militares iniciantes. Graças a seu enorme poder bélico, a Inglaterra, no final do século XIX e início do XX, detinha o título, até hoje ainda não alcançado, de maior império da história em quilometragem.

Seu território abrangia frações enormes da África, Ásia, Oceania e ilhas no pacífico. Até na América do Sul o império inglês estava presente, pois havia a Guiana inglesa, que só se tornou independente em 1966. Até hoje há um pedaço da Inglaterra na América do Sul, as Ilhas Falkland, mas, caso você converse sobre esse local com um argentino, chame de ilhas Maldivas, para evitar que ele fique mais bravo do que se você disser que Pelé é melhor que Maradona.

A vastidão do território inglês no mundo era tão impressionante que ficou conhecido como “o império em que o sol nunca se põe”, pois sempre que estava a noite em algumas de suas colônias, em outras ainda era dia. Com toda essa vastidão e influência da Inglaterra, não demorou para que o snooker se espalhasse pelo mundo e, em 1927, surgisse seu primeiro campeonato mundial.

O que era uma brincadeira, passou foi elevado ao nível profissional e quem mais se destacou nesse jogo foi o britânico Joe Davis, que simplesmente venceu 15 títulos mundiais, o último em 1946, e que poderia ter ido além caso o campeonato não tivesse sido suspenso entre 1939 e 1945 em razão da segunda guerra mundial. Ao contrário da profissionalização inglesa, no Brasil o sinuca adquiriu status de jogo de boêmio.

Nos botequins, começou a ser agregado a bebidas e apostas de dinheiro, o que fez com que ganhasse o rótulo de jogo de malandro. Apesar disso, o Brasil possui um importante jogador de sinuca chamado Rui Mattos Amorim, o Rui do Chapéu, que conseguiu vencer o bi-campeão mundial (1986 e 1987) Steve Davis. Nos anos 80, Rui se tornou famoso, pois dava aulas de sinuca na Rede Bandeirantes de televisão. O snooker não é exatamente igual ao sinuca, pois aqui há alterações nas regras.

O objetivo é o mesmo, bater com o taco na bola branca de maneira que ela bata em outra bola para que essa última seja encaçapada. O jogador pontua cada vez que se encaçapa a bola correta. No entanto, a mesa de snooker é 50 centímetros maior que a de sinuca tanto em comprimento como em largura e o número de bolas também muda, são 22 na modalidade inglesa (sendo 15 delas vermelhas) e 16 na brasileira.

Nos campeonatos mundiais aplica-se a regra inglesa e, no Brasil, há competições oficiais que passaram a adotar essas regras com o objetivo de internacionalizar nossos jogadores. Bom jogo a todos, seja você o novo Joe Davis, seja você um boêmio.

Imagens: Reprodução/Internet

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