Gastronomia Juarez Donizete

A história do Vinho do Porto

Juarez Donizete
Escrito por: Juarez Donizete
Estamos novamente falando sobre os vinhos portugueses, na semana passada o assunto foi vinho verde e desta vez iremos publicar sobre a Historia do Vinho de Porto.

Por Juarez Donizete -Voltamos no tempo onde  escritos revelam, que  os romanos chegaram a Portugal no século II a.C., e permaneceram ali onde  cultivaram vinhas e faziam vinho ás margens do rio Douro onde até hoje o vinho do Porto é produzido.

E em 1143 com a criação do reino de Portugal, começava ali um bom período de exportação de vinhos para outros países.

Mas na época o vinho elaborado na região do Douro, ainda não era o famoso Vinho do Porto.

Em 1386, o Tratado de Windsor tinha estabelecido uma estreita aliança política, militar e comercial entre a Inglaterra e Portugal.

Desenvolveram-se relações comerciais fortes e dinâmicas entre os dois países e muitos comerciantes ingleses estabeleceram-se em Portugal.

Mas foi no á partir do século XVII, que os britânicos começaram a importar grandes quantidades de vinho português, deixando ao segundo plano os vinhos franceses.

Os primeiros relatos sobre a comercialização e exportação do vinho como sendo do Porto foi registrados em 1678 e tinham como destino o mercado Inglês.

Mas a rota marítima de Portugal à Inglaterra era demorada e alguns vinhos não suportariam a longa viagem.

Mas como sabemos a necessidade é a mãe da invenção, então os comerciantes ingleses com estratégias para não perder seus vinhos começaram a acrescentar aguardente nos barris para preservar a bebida e para que pudessem resistir às longas viagens marítimas.

E toda esta mistura era degustada para estabelecer um padrão uniforme,e quem tinha essa tarefa eram os marinheiros.

As longas viagens eram amenizadas com a embriaguez dos vinhos fortificados que além de conservar o vinho por mais tempo, a adição de álcool também realçava o sabor da bebida e também aumentava seu poder de embriaguez.

Quando esses vinhos chegaram á mesa dos ingleses, a notícia se espalhou pelo o mundo, pois era um vinho diferente em doçura, teor alcoólico, amável e fácil de beber.

Logo o vinho foi adaptado ao gosto britânico, a sua procura e  consumo começaram a aumentar.

Para alguns comerciantes portugueses a ideia da fortificação não era vista com bons olhos.

Assim por volta de 1840 à fortificação era já muito comum e em 1850 provavelmente a sua totalidade.

Com o aumento da produção e vendas  havia a necessidade de levar o vinho para Gaia (Vila Nova de Gaia) e isso teve um papel fundamental no desenvolvimento comercial do Vinho do Porto.

Carroças puxadas por bois levavam as pipas cheias de vinhos até as margens do rio Douro.

O rio Douro era o único meio viável de transporte de vinho e no trajeto havia muitas pedras que dificultava o trafego.

Mas a necessidade de transportes pelo rio foi melhorando a medidas que as pedras   foram sendo demolidas.

No entanto, durante a maior parte da história do vinho do Porto quando ocorreu o aumento da procura pelo vinho  e com o rio mais navegável as embarcações que realizaram este trabalho passaram a ser os barcos Rabelos que tinham um casco de fundo plano e um leme comprido.

E cada vez mais se construíram Barcos Rabelos grandes com mais estruturas para transportar de 70 e 100 pipas de vinho. Na década de 1930 havia ainda cerca de 300 barcos registados.

À medida que o acesso à região do Douro foi melhorando, o transporte rodoviário começou a ser utilizado.

E a historia mostra que a última viagem comercial de um Rabelo pode ter sido em 1964.

À medida que o século avançava,  se constatou que  vinhos mais doces fortes e aromáticos que resultavam da fortificação eram mais do agrado do mercado.

Embora até possamos dizer que foi por acaso ou sem querer, se criou uma fórmula do que é hoje, o famoso vinho do Porto.

Como se elabora o Vinho do Porto?

Atualmente as técnicas de elaboração deste vinho melhoraram muito, enólogos começaram inserir o álcool vínico no inicio da fermentação.

Para elaborar um vinho do Porto o enólogo preserva todo o açúcar natural da fruta e durante a fermentação é propositalmente adicionado o álcool vínico ou conhaque francês para interromper a fermentação e fortificar a bebida. Isto significa que o vinho mantém a doçura natural da uva, tornando-o rico, redondo e suave no palato.

A fortificação do vinho do Porto o transformou no grande produto, que  hoje é  mundialmente reconhecido pela sua qualidade, que difere de outros vinhos.

Como a bebida é armazenada  em grandes pipas, para manter a uniformidade é comum fazer as misturas ou assemblage destes vinhos.

O profissional que faz as misturas de safras dos melhores vinhos do Porto e faz um único vinho é chamado de Blenders.

Desta forma o vinho fica doce e alcoólico e é bem diferente de outros vinhos pelas suas características particulares que são:

  • Vários estilos de Vinhos
  • Grande diversidade de cores.
  • Riqueza e intensidade de aroma
  • Persistência muito elevada de sabor
  • Elevado Teor Alcoólico (geralmente compreendido entre os 19 e os 22% vol.)
  • Vasta gama de doçuras

Tradicionalmente é servido no final da refeição com queijo, como um vinho de sobremesa ou como uma bebida depois do jantar, coquetéis ou como fortificante misturado com ovos de pato e etc.

Para os portugueses só não se vendeu mais vinhos, por causa de um mito de que o vinho do Porto deve ser apreciado em taças pequenas, assim o consumo de vinhos diminuiu.

O clima ao redor do rio Douro é bem quente e principalmente as variedades de uvas autóctones(Nativas ) como a Touriga Nacional, Touriga Francesa ou Tinta Barroca, ganham bastante açúcar e se tornam frutas bem doces, mas bem estruturadas para elaboração destes grandes Vinhos.

As uvas são cultivadas nas encostas rochosas e íngremes acima do rio Douro e entre as barreiras a murros de pedras (construídas á mão chamados de Socalcos) além de proteger da erosão dá um charme mais aos vinhedos.

Em 1756, as vinhas de vinho do Porto do Douro tornaram-se a primeira zona vitivinícola a ser legalmente demarcada.

O governo português para garantir o registro da sua fonte de renda, em 1914, fez um contrato com a Inglaterra determinando que o vinho do Porto só podia ser produzido com uvas da região do Vale do rio Douro, nordeste de Portugal sendo reconhecido até hoje.

O terroir único do Vale do Douro e os seus notáveis ​​vinhos não podem ser reproduzidos noutros locais.

A Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Patrimônio da Humanidade.

Até entendemos que o vinho do Porto é o embaixador de Portugal, mas a verdade é que, o vinho do Porto como o conhecemos hoje, rico em grau alcoólico e doce, foi lapido para agradar dos ingleses.

A história é linda e entendemos que o vinho do Porto é uma criação portuguesa, mas uma descoberta inglesa, por isso de tantas vinícolas em Portugal com os nomes dos Ingleses.

Bem se gostou da historia do vinho do Porto, então saiba um pouco sobre os seus estilos.

Vintage

O vintage é um vinho de excelente qualidade e proveniente de apenas uma colheita.

Pode ser consumido de imediato, contudo, normalmente é guardado em caves de envelhecimento durante um período que pode durar até 40 anos.

Em Portugal, é o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) que reconhece e classifica os vinhos do Porto como “vintage”.

Outras denominações

Os vinhos do Porto têm denominações diferentes de acordo com o tipo de envelhecimento.

  • Ruby
  • ReservaRuby
  • Tawny
  • Tawny Reserva

 Indicação de idade

  • Colheita
  • B.V. (Late BottledVintage)
  • Crusted
  • Rosé
  • Branco
  • Reserva Branco

O vinho do Porto é uma das melhores bebidas da Europa e sua trajetória fascinante.

Vida longa ao Rei!

Imagens: Reprodução

Sobre o autor

Juarez Donizete

Juarez Donizete

Juarez Donizete Sommelier Internacional Fisar Diretor na Enoteca Trattoria do Vinho

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