Cultura Nelson Polinário

A falsa arte da guerra

Nelson Polinário
Escrito por: Nelson Polinário

Por Nelson Polinário – Em meio a momentos caóticos em que guerras nucleares, cibernéticas e militares parecem estar a ponto de eclodirem, paira a indignação sobre a arte de guerrear. Do alto de uma pseudo paz, críticas são disparadas, mal dizeres carregados nas pontas das línguas e a solução da “pacificação” de um pronta para ser detonada e demolir a pacificação do outro. No fim das contas, como eliminar essa arte de guerrear com o outro se a sociedade mostra-se tão infestada de guerras particulares? Se o indivíduo não consegue ao menos encontrar paz nas suas próprias guerras interiores?

Hoje, mais do que nunca, o status quo da maioria dos “modos de vida”, dos “modos de se viver”, de “sobreviver” e de criar-se como ser humano, mostra-se na maioria das vezes desumanizador. Com isso, aflora-se a briga interna, a falta de autoconhecimento e a criação da guerra em si, encarnada em cada possível pacificador; em cada pessoa que ao invés de carregar a paz mancha a verdadeira arte e torna-se um falso artista: um falso artista da guerra.

Séculos e séculos fizeram de muitas pessoas falsas artistas da guerra, pois lutam sem sucesso guerras diárias consigo mesmas. E como uma arma biológica dissemina-se como uma doença artística na família, na vizinhança, no trabalho e no mundo.

Então, como apontar a paz nas guerras que vemos nos noticiários prestes a explodirem, se o indivíduo está e vive em guerra? Como apontar os fuzis da razão e julgar as atitudes dos líderes se nossas atitudes não buscam pacificar a nós mesmos e as nossas relações?

A arte verdadeira é a forma mais pura que o ser humano tem de se expressar e trazer beleza ao mundo. E a beleza da guerra se expressa em todas as pessoas, pois é a beleza de expressar os conflitos individuais, os problemas internos e o próprio entendimento de si mesmo.

Entretanto, se as guerras pessoais não são vencidas elas se transformam em bombas de preconceito, granadas de autoritarismo, mísseis de fanatismo e quando se dá por conta, os verdadeiros artistas da guerra que venceram suas batalhas pessoais são dilacerados; países se enveredam no caminho da supremacia e na busca do poder e no fim, uma arte que apenas tem a singela função de trazer beleza e paz é falsificada e transformada em destruição humana.

Sobre o autor

Nelson Polinário

Nelson Polinário

Nelson Polinário é ator, diretor teatral e professor, Presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Indaiatuba, Consultor em Mercado Artístico-Cultural e fundador do Espaço Teatral e Cia “Nelson Polinário”. Soma em sua carreira participações em espetáculos vencedores dos maiores prêmios brasileiros e experiências com conceituados artistas e cias da Itália, Israel, Canadá, Espanha, Holanda e França.

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