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Com funk e contos da família, Caetano e filhos divertem público em SP

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Escrito por: Redação

“Santo de casa não faz milagre”, disse Moreno Veloso, o mais velho da prole de Caetano, durante o show que fez com o pai e os irmãos, Tom e Zeca, neste sábado (14).

“O Zeca não nasceu sabendo as músicas de meu pai, nem eu e nem Tom, apesar de sua cabeça grande”, brincou com a marra costumeira de primogênito, antes de, ao lado dos outros, tocar “O Leãozinho”, um dos clássicos do repertório do pai que foram evocados durante a noite.

Se não fez milagre, o santo da casa Veloso intercedeu pela estreia da turnê de Caetano com os filhos em solo paulistano -neste caso, no Theatro NET, os ingressos esgotaram antes da data.

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Não que Caetano acredite nessa intervenção espiritual. Em uma das histórias lembradas durante a apresentação, o músico revelou não ser religioso, ao contrário dos filhos. “Sempre vi muita hipocrisia e senti dificuldade em me identificar com uma religião coletiva”, disse.A descrença não o impediu de, convencido por Moreno, acreditar na “inevitabilidade da existência de Deus” e, a pedido da irmã Mabel, compor “Ofertório” em ocasião dos 90 anos de sua mãe, Dona Canô.

Ainda que tenha seguido à risca o roteiro dos shows anteriores no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, a apresentação conseguiu se manter fresca e despretensiosa, agradando a plateia, que batia palmas e ouvia com curiosidade os causos da família.

Caetano foi generoso e, orgulhoso, permitiu que cada um de seus filhos mostrasse seus talentos singulares para além de suas canções autorais.

Zeca, o único estreante na música e o mais introspectivo, mostrou falsetes surpreendentes em “O Seu Amor”, no início do show, e em sua inédita, “Todo Homem”, mas também dominou os graves com voz rouca em “Força Estranha” e “Tá Escrito”, samba de Xande dos Pilares.

Desafeito ao canto -não por falta de destreza-, Tom exibiu habilidade no violão e nos passinhos com o pé descalço no pancadão “Alexandrino”, funk carioca de Caetano que faz referência ao tipo de verso de doze sílabas. Foi um dos pontos altos do show, com direito a uma tentativa de sarrada no ar.

Já Moreno, personagem por trás de canções como “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê” e “How Beautiful Could a Being Be?”, fez a vez de uma banda, revezando-se entre violão, violoncelo e percussão com prato e lixa.

O cenário minimalista, obra de Hélio Eichbauer, emulava auroras e crepúsculos conforme ditavam as canções, sincronismo mais evidente com os versos de “Canto de um Povo de um Lugar”, já no bis.

Além das apresentações já esgotadas em São Paulo (15, 21, 22, 28 e 29/10) e no Rio (17, 18, 24 e 25/10), os Veloso tocarão em Brasília (2/12). O show deve seguir para outras cidades, ainda não confirmadas. Com informações da Folhapress/Notícias Ao Minuto.

Imagem de capa:Andre Freitas / AgNews

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