Z1 Cidades

Campinas: ‘Meu filho paga pelo que não fez’

Redação
Escrito por: Redação
Uma família, moradora na Vila Brandina, em Campinas, e amigos se mobilizam para provar à a Justiça que um jovem de 20 anos foi confundido com um assaltante e preso por engano.
A prisão aconteceu no dia 1º de dezembro, após duas vítimas o reconhecerem como um dos quatro criminosos que realizaram uma sequência de roubos num período de duas horas na região do Taquaral. Thiago Felipe Gonçalves de Sousa foi preso quando estava em frente à sua casa, após a Polícia Militar (PM) rastrear o iPhone de uma das vítimas. Em um ato de desespero, um grupo de pessoas promete realizar no final da manhã de hoje um protesto no bairro. “Queremos mostrar para a Justiça nossa indignação. Meu filho é inocente e está pagando por um crime que não cometeu”, disse a doméstica Edna Maria dos Santos Sousa, de 44 anos.
Segundo a doméstica, Thiago trabalha como organizador de eventos nos finais de semana e na noite dos crimes, no horário apontado pelas vítimas, ele estava em casa, conversando com a namorada no MSN. No imóvel, estavam ela, a filha de 24 anos e a neta de um ano e meio. “Ele estava no meu quarto e, como fui me deitar por volta das 22h, pedi para que ele fosse para a sala. Ficou um silêncio e depois ouvi um barulho na rua. Fui ver o que era e vi a polícia. Perguntei do meu filho e ele já estava dentro da viatura, algemado”, contou.
Na noite da prisão, houve quatro assaltos a motoristas e um a pedestre, com um total de seis vítimas. Os crimes aconteceram em bairros como Santa Genebra, Jardim Santa Conceição, Jardim São Carlos e Jardim Míriam, entre 20h e 22h30. Em todas as ações, um carro de cor preta, sem placas anotadas, dava cobertura aos ladrões. Uma das vítimas relata a abordagem por um bandido armado e a pé. Em outro caso, por dois ladrões armados. Noutra situação por três criminosos com blusa de capuz. E no outro assalto, por quatro bandidos. Foram levados um Ethios, um Prisma, um Sandero e um FIT. Em um dos roubos foi levado um iPhone com rastreador e foi através do sinal dele que a PM chegou à casa em uma viela da Vila Brandina.
Segundo depoimentos dos policiais militares à Polícia Civil, no dia do flagrante, quando a viatura chegou ao local, havia na rua um rapaz em frente a um imóvel, que fugiu. Thiago estava do lado oposto, atrás de um carro. Dentro da casa foram detidos um rapaz maior de idade e um a adolescente. Dentro do imóvel foram localizados diversos produtos de roubos e quatro chaves de carros, além de um revólver e um simulacro de pistola. Com Thiago nada foi achado, mas quatro das vítimas o reconheceram como um dos autores dos roubos. Os dois presos teriam confessado a participação do jovem no crime. Entretanto, no inquérito, duas testemunhas disseram acreditar que Thiago era um dos autores e os detidos acabaram negando a participação dele nas ações.
Com a namorada
Edna afirma que o filho contou que naquela noite saiu no portão de casa para encontrar com a namorada, que o avisou que estava indo à sua casa. E que logo que saiu na frente do imóvel foi abordado pela PM. “Meu filho nunca teve problemas com a polícia. Ele trabalha, é um bom menino. Com certeza ele foi confundido”, disse a mãe, que garante que depois do 1º de dezembro a vida da família deu uma reviravolta e ninguém mais consegue dormir. “Não está sendo fácil para mim e nem para ele. Ele está pagando por algo que não deve”, falou. O delegado do 13º Distrito Policial (DP), que responde pela região da Vila Brandina, deu o caso como encerrado e enviou o inquérito para o Ministério Público.
A família buscou ajuda do advogado Danilo Campagnollo Bueno, que enviou nesta semana petição para que a Justiça peça que a Polícia Civil reabra o processo e investigue o caso. Além disso, também prepara um pedido de habeas corpus para que o jovem responda ao processo em liberdade. “Eu pedi para que sejam solicitadas imagens de casas nas proximidades onde aconteceram as ações. A família foi atrás e viu que há sistema de segurança”, disse o advogado.
Felipe não tem passagem criminal, segundo a Polícia Civil. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública confirma que Thiago foi preso em flagrante com outros dois rapazes, um deles menor de idade, acusados de roubarem veículos e pertences de várias vítimas na Vila Brandina, na noite do dia 1º de dezembro de 2017. “Thiago foi preso no local onde apontou o GPS do celular de uma das vítimas, sendo reconhecido pessoalmente por duas das pessoas que foram roubadas.
O caso foi relatado e a decisão foi ratificada pela Justiça, onde deverão ser apresentados os elementos em defesa dos acusados. Thiago segue em prisão preventiva”, frisou a Secretaria, sem mencionar um suposto erro. Se condenado, Thiago pode pegar no mínimo até 15 anos de cadeia por roubos a mão armada, receptação e associação criminosa.
Imagem: César Rodrigues/AAN
Com informações do Correio Popular

Sobre o autor

Redação

Redação

Deixe um Comentário

%d blogueiros gostam disto: