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A barba através dos tempos – Parte III

Tom Nishi
Escrito por: Tom Nishi

Por Tom Nishi – Durante a Idade Média, na Europa, o ofício de barbeiro ia além das barbas e cabelos,
sendo parte do trabalho arrancar dentes, fazer sangrias, curativos e tratar de todo tipo de
emergência médica. Eram chamados barbeiros-cirurgiões. Isso porque os doutores
formados nas instituições de ensino de então eram caros, atendiam quase somente aos
nobres e endinheirados e, na verdade, usavam métodos vagamente baseados na ciência.

O conhecimento acumulado na Antiguidade estava no Mundo Árabe, livre do teocentrismo
cristão, que em geral achava que a cura devia vir de Deus. Ou seja, o melhor era rezar. Só
que, como sabemos, na maioria dos casos isso não dá muito certo. Para que um barbeirocirurgião
pudesse ostentar tal título, ele tinha que pertencer a uma guilda, tal como a dos
pedreiros, que séculos depois originaria a Maçonaria. Um jovem aprendiz começava
fazendo barbas e cortando cabelos; com o tempo, iam atuando como os enfermeiros de
hoje, auxiliando barbeiros ou médicos, aprendendo um pouco mais de cada doença e cada
tratamento. O escritor Noah Gordon mostra isso no romance histórico “O Físico”.

Na entrada de cada barbearia havia um cilindro pintado em branco e vermelho, que significava
que aquele profissional tinha aptidões medicinais, e poderia ser chamado durante qualquer
hora do dia para uma emergência: um enfarte, um parto, um curativo, uma perna quebrada
etc. O poste branco com linhas espirais vermelhas e azuis permanece até hoje em países do hemisfério norte. A separação entre as funções de barbeiro e médico só começou a acontecer no século XVIII, por pressões da classe médica, que começava a ter uma
formação mais científica e sistemática, graças ao Iluminismo.

No Brasil-colônia, no entanto, a atividade dos barbeiros-cirurgiões continuou até o século XIX, provavelmente
pela fala de médicos formados por aqui. Curiosamente, na nossa ex-Metrópole, Portugal,
na segunda metade do século XX ainda havia barbeiros cirurgiões nas aldeias, que além
de apararem cabelo e barba também extraíam dentes e tratavam abcessos, o que talvez
tenha estimulado a importação de cirurgiões-dentistas brasileiros a partir dos anos 80.

Imagens:Pinterest

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