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A Barba através dos tempos – Parte II

Tom Nishi
Escrito por: Tom Nishi

Por Tom Nishi – No século V D.C., o Império Romano caiu e em seu lugar surgem os reinos e ducados germânicos,
dominados por guerreiros barbudos, cujo mais importante foi o franco Carlos Magno. No Oriente, os
árabes, que já usavam barba como costume, passam a ostentá-la como uma forma de ligação com
Maomé, a partir da Islamização de todo o Oriente Médio, Norte da África e península Ibérica. Nas
palavras registradas por Abu Darda no Hadith 501, do Alcorão, o profeta Maomé diz não ter
nenhuma ligação com aquele que não tem barba. Os judeus, por sua vez, seguiam a ordem de
Javé para que não “não raspassem a barba pelos lados”, estilo usado pelos patriarcas hebreus e
atualmente pelos ortodoxos, que incluem ainda o uso do peiot, cacho de cabelo lateral.

Na Idade Média, a barba ganhou conotação religiosa. Depois do cisma em 1054, que separou
católicos e cristãos ortodoxos, a Igreja incentivou clérigos e leigos católicos a raspar o rosto, a fim
de se diferenciar dos antigos colegas de fé (e, de quebra, dos “infiéis” judeus e muçulmanos). Isso
deu origem a anedotas históricas. Uma das versões da Invasão Normanda de 1066, quando
Guilherme invadiu a Inglaterra, depondo o rei saxão Haroldo, dá conta que a facilidade com que os
ingleses foram derrotados foi porque os batedores saxões, ante a aproximação de um bando de
homens de cara lisa, acharam que eram frades católicos, não soldados. Uma barbaridade que
custou o fim da dinastia saxônia.


Aos católicos, porém, o que mais desagradava era o bigode. Os gregos desdenhavam o bigodão.
Os sofisticados romanos o associavam aos francos, germânicos e gauleses, estes, o primeiro povo
da Antiguidade a cultivar o bigode sem barba. Na Idade Média, ele ganhou uma conotação
demoníaca, quando o diabo passou a ser representado usando bigode em pinturas populares.
Mesmo mais tarde, em 1447, o parlamento inglês proibiu seu uso, porque virou símbolo das duas
coisas mais odiadas pelos ingleses da época: a vaidade e o povo francês.

Imagem: Reprodução

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